Vista aérea de Camboriú SC, cidade em crescimento no Litoral Norte de Santa Catarina

Quem acompanha o Litoral Norte de Santa Catarina sabe que o eixo Itajaí–Balneário Camboriú–Itapema concentrou os holofotes na última década. O que muita gente ainda não percebeu é que Camboriú, o município ao lado — e que não deve ser confundido com Balneário Camboriú —, virou a peça mais interessante do tabuleiro. Sou Luciano Oliveira, arquiteto responsável pela Setor Arquitetura, e atuo diariamente com aprovação de projetos, regularização e avaliação de imóveis na região. Do meu lugar de trabalho, a leitura é direta: nunca houve tantas obras estruturantes acontecendo ao mesmo tempo em Camboriú.

Camboriú em números: 117 mil habitantes e espaço para crescer

Os dados ajudam a entender o momento. Segundo o IBGE, Camboriú chegou a 117.324 habitantes em 2025, distribuídos em 210,568 km² de área territorial, com densidade demográfica de 489,5 habitantes por km², PIB per capita de R$ 25.718,35 e IDHM de 0,726 — considerado alto. Os indicadores foram reunidos em reportagem do G1 sobre o município.

Para efeito de comparação, Balneário Camboriú passa dos 3.000 habitantes por km². Camboriú não chega a 500. Em linguagem de projeto, isso significa três coisas: ainda existe terreno, ainda existe potencial construtivo e ainda existe preço de entrada. É exatamente esse tipo de assimetria que costuma anteceder ciclos longos de valorização.

1. Mobilidade: as obras que estão redesenhando o mapa da cidade

Duplicação da SC-102

Em julho de 2026, a Prefeitura assinou com o Governo do Estado o convênio que viabiliza a duplicação da SC-102, na Rua Antônio Lopes Gonçalves Bastos. São 2,1 km de duplicação com pavimentação, drenagem, calçadas, ciclovia em asfalto, canteiros e nova sinalização, num investimento de aproximadamente R$ 25 milhões — R$ 12 milhões deles aportados pelo Estado. É o corredor que liga Camboriú a Balneário Camboriú: cada minuto economizado nesse trecho vira valor de metro quadrado.

Avenida Edson Olegário

Em abril de 2026 foi assinada a licitação da Avenida Edson Olegário: R$ 52.465.771,63, cerca de 2,3 km de extensão, 270 metros de elevado, 120 metros de ponte, três faixas de rolamento, calçadas e ciclofaixa, com prazo de 20 meses. A nova via formará um binário com a Avenida Santa Catarina e se tornará um dos principais acessos ao município.

Binário da Rua Siqueira Campos e requalificação de vias

Com recursos próprios, a cidade executa o novo binário da Rua Siqueira Campos (cerca de R$ 3 milhões e 1,2 km de drenagem, pavimentação, calçadas acessíveis e ciclofaixa) e a primeira etapa do Programa de Requalificação de Vias e Passeios, orçado em cerca de R$ 4 milhões. Em abril, outras dez ruas receberam pavimentação em diferentes bairros.

2. Economia: AeroPark, ZPE e área industrial regularizada

O anúncio mais ambicioso veio em junho de 2026: um grupo de investidores liderado pela VexCapital entregou à Prefeitura o memorando de intenções do AeroPark Camboriú — aeroporto executivo, aeroclubes, condomínios aeronáuticos, parque tecnológico e uma microzona de processamento de exportação (ZPE) na região do Braço. São cerca de 2,2 milhões de m² e investimento estimado em R$ 1 bilhão.

No mesmo movimento, o município concluiu a etapa administrativa da regularização fundiária da Área Industrial, com 38 imóveis e 32 empresas beneficiadas. Segurança jurídica é combustível de investimento: matrícula individualizada significa financiamento, expansão e novos entrantes.

3. Água, energia e resiliência: a infraestrutura invisível

Boa arquitetura começa embaixo da terra. Três frentes me chamam atenção:

  • Parque Inundável do Rio Camboriú — R$ 73,3 milhões garantidos pelo Novo PAC, com dique de 1.600 metros de extensão e 7,6 metros de altura, dimensionado para chuvas com tempo de retorno de até 100 anos e beneficiando mais de 36 mil pessoas em áreas de risco (detalhes aqui).
  • Nova ETE — o município estuda uma estação de tratamento de esgoto com capacidade de até 400 litros por segundo, inspirada em modelo digital construído em BIM (visita técnica).
  • Nova subestação da Celesc — terreno de 7.106,12 m² doado no bairro Santa Regina para ampliar a capacidade de distribuição de energia (saiba mais).

Drenagem, esgoto e energia são exatamente os gargalos que travam empreendimentos. Resolvê-los é liberar densidade — e densidade é valor.

4. O mercado já respondeu

Um levantamento da Secretaria de Planejamento Urbano mostrou que, em uma janela de 45 dias, o ritmo de crescimento urbano acelerou em toda a cidade: o Centro liderou as aprovações de projetos (23,68%), seguido por Rio Pequeno (22,7%), Areias (14%), Várzea do Ranchinho (12,9%) e São Francisco de Assis (6,46%). Nas emissões de habite-se, o Centro também ficou à frente (27,8%). Nas consultas de viabilidade para abrir empresa, o Centro somou 30,92%, com Monte Alegre (19,22%) e Tabuleiro (15,4%) logo atrás.

O que eu, como arquiteto, diria para quem quer investir em Camboriú

Camboriú é, na minha avaliação, um excelente lugar para investir — desde que o investimento seja feito com técnica. Três recomendações práticas:

  1. Compre documentação, não só imóvel. Verifique matrícula, habite-se e situação junto à Prefeitura antes de fechar negócio. Se o imóvel estiver irregular, veja o passo a passo da regularização de imóveis em Camboriú.
  2. Saiba o valor real antes de negociar. Um laudo técnico evita comprar caro e vender barato. Explico o processo no guia completo de avaliação de imóveis em Camboriú.
  3. Se o projeto for comercial ou de grande porte, antecipe o EIV. O Estudo de Impacto de Vizinhança pode ser exigido e costuma ser o item que atrasa cronogramas — entenda quando o EIV é exigido em Camboriú.

Perguntas frequentes sobre investir em Camboriú

Camboriú é o mesmo que Balneário Camboriú?

Não. São dois municípios distintos e vizinhos. Camboriú tem perfil mais residencial, industrial e rural, área territorial muito maior e densidade demográfica bem menor que a de Balneário Camboriú.

Qual é o melhor bairro para investir em Camboriú?

Os dados municipais recentes apontam Centro, Rio Pequeno, Areias, Várzea do Ranchinho e São Francisco de Assis como as regiões com maior número de projetos aprovados e obras concluídas. A escolha ideal depende do perfil do investimento e deve ser precedida de uma avaliação técnica.

Vale a pena comprar terreno em Camboriú agora?

O momento é favorável pela combinação de obras confirmadas e preço de entrada ainda inferior ao das cidades vizinhas. O cuidado essencial é verificar zoneamento, restrições ambientais e regularidade documental antes da compra.

Precisa de apoio técnico em Camboriú?

A Setor Arquitetura atua em Camboriú e em toda a região da AMFRI com aprovação de projetos, habite-se, regularização, laudos de acessibilidade, PPCI, EIV e avaliação de imóveis. Se você pretende comprar, construir, reformar ou regularizar na cidade, fale com a nossa equipe e faça a conta certa antes de assinar qualquer contrato.

Luciano Oliveira — arquiteto e urbanista, Setor Arquitetura LTDA.

No responses yet

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *