Sou Luciano Oliveira, arquiteto e urbanista da Setor Arquitetura, e acompanho de perto os processos de aprovação, regularização e viabilidade em Camboriú. Se existe um único projeto capaz de redesenhar a economia do município na próxima década, ele tem nome: AeroPark Camboriú. Antes de avançar, faço o esclarecimento que sempre repito aos meus clientes: estamos falando de Camboriú, município autônomo do Litoral Norte catarinense, e não de Balneário Camboriú. São cidades vizinhas, com legislações urbanísticas, preços e dinâmicas de mercado completamente distintos.
AeroPark Camboriú: o que é o projeto de R$ 1 bilhão
Em 17 de junho de 2026, a Prefeitura assinou o memorando de intenções para a implantação do complexo. O empreendimento prevê investimento estimado em R$ 1 bilhão numa área de aproximadamente 2,2 milhões de metros quadrados, na região do Braço, com liderança do grupo VexCapital. De acordo com o anúncio oficial da Prefeitura de Camboriú, o masterplan contempla:
- aeroporto executivo e aeroclubes;
- mais de 200 hangares e condomínios aeronáuticos;
- terminal de passageiros;
- parque tecnológico;
- uma microzona de processamento de exportação (ZPE).
Para dimensionar: 2,2 milhões de metros quadrados equivalem, sozinhos, a um pedaço relevante da malha urbanizada do município. Não é um lote isolado — é a criação de um novo vetor de expansão.
Por que um aeroporto executivo muda o jogo imobiliário
Na minha leitura como arquiteto, três efeitos costumam se repetir quando uma cidade recebe infraestrutura aeronáutica executiva associada a parque tecnológico:
- Reprecificação do entorno. Terrenos rurais e de baixa densidade passam a ter horizonte de conversão para uso logístico, industrial e de serviços. O valor deixa de ser medido por hectare e passa a ser medido por potencial construtivo.
- Demanda por moradia qualificada. Parques tecnológicos atraem profissionais de renda média-alta que não querem morar a 40 minutos do trabalho. Isso pressiona bairros consolidados como Centro, Areias e Rio Pequeno.
- Serviços de apoio. Hotelaria, alimentação, manutenção aeronáutica, coworking, logística. Cada hangar gera uma cadeia ao redor.
É por isso que venho dizendo, também no artigo sobre por que Camboriú é um excelente lugar para investir em 2026, que a cidade parou de ser apenas o quintal barato do litoral e passou a ter tese própria de investimento.
Regularização fundiária da Área Industrial: o alicerce jurídico
Um projeto bilionário não se sustenta sobre insegurança jurídica. Foi exatamente por isso que considero tão relevante a notícia de 17 de julho de 2026: a Prefeitura entregou ao Registro de Imóveis o processo de Regularização Fundiária da Área Industrial, envolvendo 38 imóveis e 32 empresas, em parceria com o Centro Industrial de Camboriú (CIC).
Na prática, isso significa matrícula individualizada, possibilidade de financiamento bancário, garantia real e transferência regular. Para quem opera na área industrial, é a diferença entre um ativo travado e um ativo negociável. Se você tem imóvel comercial em situação irregular, vale ler o guia sobre quanto custa regularizar um imóvel comercial em Camboriú.
PEDEM e Sala do Empreendedor: a cidade se preparou para receber capital
O AeroPark não surgiu do nada. Desde 2025 a administração vem estruturando o Plano de Desenvolvimento Econômico Municipal (PEDEM) em parceria com o Sebrae, com reuniões setoriais para elaboração do plano. Em maio de 2026, a Sala do Empreendedor de Camboriú conquistou o Selo Ouro do Sebrae, indicador direto de desburocratização no atendimento a quem quer abrir ou expandir negócio.
Some-se a isso o TERRAMAR 2050, plano regional da AMFRI que reúne 11 municípios com horizonte de 25 anos. Camboriú deixou de planejar por mandato e passou a planejar por geração.
O que o investidor deve olhar agora
Se você está avaliando entrar em Camboriú por causa do AeroPark Camboriú, minha recomendação técnica é bastante objetiva:
- Confira o zoneamento vigente e a revisão do Plano Diretor. A expectativa de valorização não vale nada se o uso pretendido não for permitido.
- Verifique a matrícula antes do preço. Área com posse não registrada é armadilha clássica em zonas de expansão.
- Avalie a acessibilidade viária real. Um terreno a 3 km em linha reta pode estar a 20 minutos de deslocamento efetivo.
- Considere o Estudo de Impacto de Vizinhança. Empreendimentos de porte em Camboriú frequentemente exigem EIV — entenda quando o EIV é exigido para o alvará.
- Peça avaliação técnica. Em mercado aquecido, o preço pedido e o valor de mercado se descolam com facilidade. Veja o guia de avaliação de imóveis em Camboriú.
Vale lembrar que o pacote de mobilidade já em execução conversa diretamente com esse novo ciclo. Escrevi sobre isso em obras em Camboriú: SC-102, Avenida Edson Olegário e o novo binário do Centro.
Perguntas frequentes sobre o AeroPark Camboriú
O AeroPark Camboriú já está em obras?
Não. O que foi assinado em junho de 2026 é um memorando de intenções. O projeto ainda percorre etapas de licenciamento ambiental, aprovação urbanística e estruturação financeira. Memorando é sinalização de intenção, não licença de construção.
O AeroPark fica em Balneário Camboriú?
Não. O complexo está previsto para o município de Camboriú, na região do Braço. Balneário Camboriú é a cidade vizinha e não abriga o empreendimento.
Como saber se meu terreno é afetado pelo AeroPark Camboriú?
É preciso cruzar a matrícula do imóvel com o zoneamento municipal e com as diretrizes da revisão do Plano Diretor. Esse é um trabalho técnico de consulta prévia, e é exatamente o tipo de análise que fazemos na Setor Arquitetura.
Conclusão: o momento de estudar é agora
Projetos de R$ 1 bilhão não se materializam em um ano. Mas o mercado não espera a inauguração para reprecificar — ele reprecifica no anúncio. Quem entende o AeroPark Camboriú hoje, com leitura urbanística correta e diligência documental, compra antes da curva. Quem espera a obra pronta compra o preço da euforia.
Se você pretende comprar, vender ou viabilizar um empreendimento em Camboriú, fale com a Setor Arquitetura. Analisamos zoneamento, viabilidade, EIV, regularização e avaliação com base técnica, não em achismo de mercado.
Luciano Oliveira — arquiteto e urbanista, Setor Arquitetura LTDA.

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