Existe um indicador que uso há anos para avaliar se uma cidade vai valorizar de forma sustentável: o quanto ela investe em espaço público e em saneamento. Sou Luciano Oliveira, arquiteto e urbanista da Setor Arquitetura, e em Camboriú esse indicador virou de vez. O Parque Inundável do Rio Camboriú, o novo Mercado Público Municipal e a requalificação do Parque Linear formam, juntos, o maior pacote de qualidade de vida da história do município. Registro sempre: falo de Camboriú, e não de Balneário Camboriú — municípios vizinhos, realidades urbanísticas diferentes.
Parque Inundável do Rio Camboriú: R$ 73 milhões contra as enchentes
Em setembro de 2025, o município confirmou o recurso: o Novo PAC garantiu R$ 73.308.077,77 para o Parque Inundável do Rio Camboriú. O projeto, desenvolvido no âmbito do consórcio CIM-AMFRI, prevê um dique de aproximadamente 1.600 metros de extensão por 7,6 metros de altura, dimensionado para chuvas com tempo de retorno de até 100 anos, beneficiando mais de 36 mil pessoas.
Traduzindo do jargão técnico: a cidade está comprando proteção contra o evento de cheia que estatisticamente ocorre uma vez por século. Para o mercado imobiliário, isso tem efeito direto e mensurável. Área em cota de inundação recorrente tem seguro mais caro, financiamento mais difícil e liquidez menor. Quando o risco hidrológico cai, o valor sobe — e sobe justamente nas regiões que hoje são descontadas por causa da água.
A licença ambiental prévia já havia sido assinada em 2023, e o projeto passou por análise técnica junto ao PAC antes da liberação. É um projeto maduro, não uma promessa de campanha.
Mercado Público Municipal: 1.668 m2 de nova centralidade
Em outubro de 2025, a Prefeitura iniciou a demolição das edificações antigas para implantar o futuro Mercado Público Municipal, junto à ponte da Rua Gustavo Richard. O programa arquitetônico impressiona pela ambição urbana:
- 1.668 m2 de área térrea e 192 m2 de mezanino;
- 16 salas comerciais e 4 restaurantes com capacidade aproximada de 400 pessoas;
- palco central para programação cultural;
- deck de 460 m2 com atracação para barcos e jet skis;
- 900 m2 de área de convivência e 36 vagas de estacionamento;
- área doada em parceria com o IFC, em modelo de parceria público-privada (PPP).
Como arquiteto, o que me chama atenção aqui é a reconexão da cidade com o rio. Camboriú, durante décadas, deu as costas para a água. Um mercado público com deck e atracação inverte essa lógica: o rio deixa de ser fundo de quintal e vira fachada. Esse tipo de reposicionamento é o que historicamente puxa valorização em cidades ribeirinhas.
Parque Linear e pista de skate: esporte como infraestrutura
O Parque Linear Cesino Bernardino, revitalizado, ganhará uma pista de skate do tipo street. Em junho de 2026 a Prefeitura autorizou a licitação da pista de skate no Parque Linear, com valor estimado de R$ 710.466,57 e prazo de execução de nove meses.
Some-se o Complexo Esportivo do Guga, com R$ 2 milhões previstos, o Parque Municipal da Bica e as trilhas do Pico da Pedra e do Jacaré. Camboriú está montando uma rede de lazer que atende morador e atrai visitante — e imóvel próximo a parque estruturado sustenta preço melhor em ciclos de baixa.
Saneamento e energia: a infraestrutura que ninguém vê
Duas obras pouco glamourosas, mas decisivas para quem constrói:
- Nova ETE. Em maio de 2026, o município avaliou um modelo de estação de tratamento de esgoto de referência, com projeto local previsto para até 400 litros por segundo. Capacidade de tratamento é pré-requisito para liberar densidade construtiva.
- Subestação da Celesc. Em abril de 2026, foi formalizada a doação de terreno de 7.106,12 m2 no bairro Santa Regina para a nova subestação, com investimento integral da concessionária.
Sem esgoto e sem energia, não há torre, não há loteamento e não há Habite-se. Quem já enfrentou uma aprovação sabe exatamente do que estou falando — e é por isso que trato desses temas no artigo sobre o EIV exigido em Camboriú.
Planejamento de longo prazo: PPA 2026-2029 e TERRAMAR 2050
Nada disso é improviso. O PPA 2026-2029 tem um eixo próprio de Infraestrutura e Mobilidade para o Futuro, e o TERRAMAR 2050 articula 11 municípios da AMFRI num horizonte de 25 anos. Planejamento com prazo longo é o que separa cidade que cresce de cidade que incha.
Perguntas frequentes
Quando começam as obras do Parque Inundável do Rio Camboriú?
O recurso do Novo PAC foi assegurado em 2025 e o projeto seguiu para as etapas de licenciamento e contratação. Obras dessa escala normalmente iniciam após conclusão do processo licitatório e das licenças de instalação.
O Parque Inundável fica em Balneário Camboriú?
Não. O Parque Inundável do Rio Camboriú é uma obra do município de Camboriú, ainda que o rio integre uma bacia compartilhada na região.
Essas obras valorizam imóveis em quais bairros?
Tendem a beneficiar prioritariamente as áreas ribeirinhas e o Centro, além dos bairros próximos ao Parque Linear. A avaliação correta, porém, depende de análise caso a caso — veja o guia de avaliação de imóveis em Camboriú.
Conclusão
Qualidade de vida não é discurso de folder: é dique, é ETE, é subestação, é parque com manutenção. Camboriú está executando os quatro ao mesmo tempo. Foi essa leitura que me levou a escrever por que Camboriú é um excelente lugar para investir em 2026 e a detalhar as obras de mobilidade em andamento.
Quer entender como essas obras afetam o seu imóvel ou o seu projeto? Fale com a Setor Arquitetura e receba uma análise técnica de viabilidade, zoneamento e valorização.
Luciano Oliveira — arquiteto e urbanista, Setor Arquitetura LTDA.

No responses yet